Arte e solidão, depressão artística e cobrança excessiva – Relato Ana Carvalho

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Há um tempo atrás escrevi um texto que falava sobre a sensação de solidão e seus dois lados, o lado da introspecção, que ajudava na hora de criar e produzir e o outro lado que eu não havia compreendido, que era o lado que se formava um grande buraco de depressão…
O texto a seguir é um relato pessoal, seguindo de um alerta e até mesmo um motivacional para mim e para outras mulheres e meninas, que já disseram ter se espelhado e acreditam nessa troca real de informação.
*Tem umas amigas que vão achar loucura porque sempre fiquei por trás dos bastidores mas taquei o foda-s*

Vim tentando me expressar através das redes sociais e até mesmo com alguns amigos e conhecidos, sem buscar um sentimento de pena ou dó, mas sim tentando entender qual é a empatia do próximo com uma pessoa que sofre, ou passa por uma crise/quadro depressivo.
Sei que muitas mulheres, passam ou já passaram por um momento na vida de sentir como se nada mais fizesse sentido, uma vontade de desistir de tudo aquilo que já foi almejado ou até mesmo planejado…

Não se trata só de assumir ou só continuar levando como se não existisse ou acontecesse, mas esse fato me fez abrir um olhar mais amplo e cuidadoso sobre a minha própria vida, a vida dos próximos e tomar defesas com as opiniões e até mesmo ações que podem influenciar em uma nova queda/crise.
*Não sou psicologa então estou usando termos que se encaixam no que eu senti*

Muitas pessoas buscam na família, outras em seus hobbys, trabalhos, amigos e até mesmo em um companheiro(a) a sua base/ancora para ficar “firme”, outras optam por psicólogos, medicamentos, tratamentos religiosos e espirituais… Cada um busca um refúgio para se manter estável.

Quando a matéria a 10 formas que algumas mulheres encontraram para lidar com a depressão foi ao ar, devo assumir que não imaginaria que um dia seria eu que estaria podendo descrever 10 formas na qual eu lido hoje com a minha “depressão.”
Confira o link da matéria abaixo:
https://belatatuada.com.br/10-formas-que-algumas-mulheres-encontraram-para-lidar-com-a-depressao/

Vi o lado positivo, mas nunca parei para analisar os porquês, acredito que cada uma tenha tido seu start, assim como eu tive, mas o que posso afirmar é que acima de tudo, em um mundo onde o ego comanda, quando você se coloca em modo de superação, a guerra interna se torna mais intensa do que para com as outras pessoas, na maior parte do tempo, quando se procura um “culpado” para a doença, acabamos nos responsabilizando, o que agrava ainda mais o caso tornando uma sensação ruim constante e chegando a auto punição.

Esse relato que expõe sobre esse lado da minha vida, é algo que achei necessário para que a partir do momento em que eu iniciei uma busca por ajuda, ainda aprendendo a lidar, eu continuarei buscando a me tratar e cuidar, e quero que possa servir de incentivo para meninas/mulheres, que passarem ou passaram por isso (não desejo a ninguém), se cuidarem também, que todas nós somos sujeitas, até quando somos a famosa “rir para não chorar”, mas que não se deve deixar para o ultimo minuto ou momento para pedir ajuda.

“Meu nome é Ana Paula de Carvalho, sou tatuadora e body piercing, proprietária do site, que foi montado em parceria com outro profissional do meio, iniciei minha vida como tatuadora aos 17 anos, mas como minha família vem me fazendo entender e precisou de muito apoio, sempre fui fã de artes, desenho desde pequena, canto, tive incentivos musicais e muita força de expressão.
Já trabalhei com outras profissões, mas desde muito nova busquei autonomia de trabalho, e no meio da tattoo, comecei vendendo camisetas e acessórios de moda alternativa, durante um tempo trabalhei em escritório, como faz tudo, desde administração básica, até controle de estoque, cadastramento de loja virtual, venda de atacado e varejo e por ai foi começando a saga, viajei para alguns eventos de tatuagem, aprendendo como funcionava o mundo do dinheiro e dos negócios.
Meu maior incentivo na parte da tatuagem veio com a parte da família de um ex-namorado e amigos do meio que virão a força de vontade e o potencial de crescimento, de almejar e amar tanto essa arte que hoje é o meu sustento e o que faz meus olhos brilharem.
Nos últimos meses passei por certos bloqueios que vieram desde as frustrações, até mesmo duvidas sobre o meu caráter, ser subjugada e me auto julgar, sobre ser ou não uma boa pessoa, pela imagem, chegando até mesmo perder a essência, deixar de ser quem sou por um preconceito imposto, não só por mim, mas pelas pessoas ao meu redor.
Eu parei de me reconhecer como pessoa, como mulher, como ser humana… (O bagulho ficou loko) Brincadeiras a parte, como tatuadora, devo dizer que a pior sensação é não conseguir sair de casa para atender um cliente ou até mesmo me comunicar com medo de dizer ou não saber o que dizer o que acontecia, não ter certeza de marcar um atendimento, o não conseguir produzir e nem trabalhar, chegando a quase perder o amor pela arte.
Passei por algumas situações que me fizeram chegar a pensar em vender minhas maquinas e simplesmente dormir para nunca mais acordar… “

A sensação de depressão artística, ligada ao sentimento de solidão e até mesmo de cobrança em excesso da imagem me mostraram que sozinha não poderia lutar, e hoje eu sei que não só eu, mas muitas(os) colegas de profissão já passaram por um momento assim.

A empatia e respeito é a base para buscar a melhora.

A arte que me libertou de sensações ruins uma vez, hoje é o que me motiva a continuar… Não só isso mas vou compartilhar a partir de agora no site as vivências que me motivam a melhorar e mulheres que quiserem fazer parte de nutrir o site com muito amor e arte positiva, esta aberto.


Foto: 2º Encontro de Mulheres Tatuadas na Tattoo 4US

O site sempre teve como um dos objetivos, não só informar, mas fazer quebras de tabus e padrões, isso até mesmo quando se trata da linguagem das matérias, até as formas que abordamos certos assuntos, se tornando um espaço aberto para receber diversos pontos de vistas, deixando um amplo entendimento para que cada leitor(a) pudesse se identificar a sua maneira.

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About Author

Paulista, idealizadora do Projeto Bela Tatuada, Tatuadora autônoma, body piercer, 22 anos. " Sonhar é necessário para existir."



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