Nome: Aline Torchia Predebon
Idade: 32 anos
Localidade: São Paulo
Tempo de atuação: 5 anos
Especialidade:
Neo tradicional, Old School
Facebook: Aline Torchia 
Instagram: @AlineTorchia
Skectbook link: https://www.pixelartbooks.com/sketchbook-aline-torchia.html

Quando começou no mundo da tatuagem?
Comecei a trabalhar em estúdio de tatuagem em 2011 como aprendiz e para ajudar na organização das agendas de outros tatuadores, mas comecei a tatuar definitivamente em 29 de Março de 2012.

 

 

Como começou? Quando surgiu o interesse pela arte e a execução?
Meu interesse por tatuagem começou na adolescência, comecei a colecionar revistas de tattoo (Metalhead, Almanaque Tattoo, entre outras ). Eu reproduzia os desenhos das revistas na minha pele e de amigos da escola com canetinha e caneta Bic. Porém não imaginava um dia me tornar tatuadora de verdade,  com 20 anos fiz minha primeira tattoo em um estúdio próximo de casa e depois de 4 meses fiz a segunda com um tatuador que me mostrou um lado realmente profissional da tattoo. Fui estudar Moda, me formei e meu TCC foi baseado em estampa de sapatos com imagens de tattoo. Nessa época estava bastante envolvida em pesquisa de tattoo, body art e já me interessava muito pela profissão, porém não queria começar de qualquer jeito, sem instrução, sem um “mestre”. Trabalhava com criação de estampa, depois com maquiagem e então ingressei na Pós de Design Gráfico. E foi nesse período que fui fazer um tattoo com minha irmã e o tatuador (já falecido Guilherme Cavalo) me convidou para ser sua aprendiz. Larguei tudo e fui trabalhar com ele como aprendiz.
Você fez cursos? Como foi seu processo de aprendizado?
Fiquei como aprendiz 1 ano, tatuando pele de porco e pele sintética, soldando agulha, lavando muito bico, e ajudando na organização do estúdio. Ate mudar para um outro estúdio (já extinta Sick Mind Skate Tattoo), onde comecei a tatuar de verdade. E nesse período fiz cursos de desenho acadêmico, pintura a óleo, acrílico, com André Rodrigues (Labo B) o que fez com o que eu aperfeiçoasse muito meu desenho.
Encontrou dificuldades no inicio? Como as enfrentou?
Meu começo na tattoo, costumo dizer que apesar de algumas vezes ter quer me impor como mulher, como alguém que realmente queria aprender e estar naquele universo tive uma imensa sorte de conviver com pessoas incríveis. Que me adotaram de verdade,  pegaram muito no meu pé, mas que graças a isso me ajudou muito em minha evolução.


Já passou por alguma situação de preconceito por ser mulher no inicio ou nos tempos atuais no meio da tatuagem e fora dele?
O meio da tattoo assim como o das artes, moda, criação em geral sofre com o problema do Ego. Pessoas muito competitivas e que acreditam que seu trabalho é melhor que de outros, ou acreditam serem mais criativos, ou mais reconhecidos, enfim… infelizmente tive um encontro na vida com algumas pessoas assim e também já ouvi coisas do tipo: “estúdio não é lugar de mulher, mulher não aguenta pressão, mulher não tem que tatuar”.
Mas sinceramente acredito em potencial, capacidade, estudo e dedicação e isso não tem nada a ver com sexo e gênero, tem a ver com comprometimento, vontade e muito trabalho e hoje existe espaço para todos que tenham essas características.

Como você vê o crescimento das mulheres tatuadoras?
Acho incrível ver a mulherada trabalhando pesado na tattoo, se dedicando e fazendo trabalhos fantásticos. Acredito num grande potencial futuro para as mulheres dentro da tattoo e penso que temos sim que admirar umas às outras, incentivar e jamais competir. O mundo é imenso e cheio de possibilidades, estilos, e formas de pensar diferentes.
O que você gostaria de dizer a tatuadoras iniciantes e até profissionais que encontram dificuldade?
Primeiro saiba o quer, faça o que você ama, e se ama de verdade não desista. Haverá muita dificuldade, em desenhar, em colocar decalque, em comprar material, em ter segurança no que está fazendo, em impor seu espaço,  financeira (o mundo da tattoo não é ganhar milhões em 6 meses), estude muito, e quando achar que estudou muito, estude mais. Tenha auto crítica, seja humilde, saiba ouvir, pegue trabalhos que sinta confiança em fazer, faça amigos (eles fazem muita diferença no seu aprendizado e na sua evolução) e tatue, tatue, tatue… quanto mais tatuar mais vai aprender.

Você tem um sketch produzido pela Pixel, quando foi lançado, como foi o convite para fazer, qual foi seu sentimento em representar as minas e ganhar tal visibilidade e reconhecimento em um segmento obviamente ainda predominado pelos homens?
Recebi o convite o ano passado, durante uma convenção, o Alessandro viu meus desenhos e me convidou e eu amei! Fiquei um pouco tensa, achei que não tinha material suficiente, que não era legal o bastante, mas foi incrível ver meus desenhos em um livro. E me senti muito feliz de poder representar a mulherada de alguma forma. Costumo dizer que não escrevi um livro, mas desenhei um.

De onde tirou as inspirações para os desenhos?
Minha inspiração é cotidiana, livros, sites, fotos, viagens, lugares em que vou, arquitetura, design, tudo que você vê, estuda, observa de alguma forma te inspira e te dá novas ideias. Mas rostos, flores, animais e ornamentos são minha maior inspiração.

Conte um pouco sobre seu estilo de trabalho?
Eu costumo pensar que, estou no início, do meu processo de escolha de um estilo. Esse estilo seria o Neo Tradicional. Que para mim é um estilo delicado, cheio de detalhes, composição, sombra e luz. Para isso eu costumo estudar muito, Art Deco e a Art Nouveau que são inspirações claras do Neo, e também entre o estudo e o desenho de rostos, anatomia, animais, cenários, joias, um acaba dando complemento ao outro.


Uma experiência que marcou na sua carreira como tatuadora, algum cliente ou historia que queira compartilhar.
Uma das coisas mais gratificantes da tattoo é saber que você realizou um sonho de alguém, ou conseguiu através da tatuagem demonstrar um sentimento. Mas um das historias que mais me marcou foi de uma garota que passou 10 anos no hospital, tem o corpo 70% paralisado, fala com imensa dificuldade e enxerga 30% e mesmo assim foi sozinha ao estúdio com uma cadeira motorizada e o sonho dela era ter um elefante tatuado. E eu tive a honra de realizar esse sonho e vê-la emocionada, feliz . Isso não tem preço!

Deixe um recado para os seguidores:
Apenas gostaria de agradecer meu clientes e seguidores que se tornam parte do que eu faço, porque levam em seu corpo minha arte, minhas ideias, minhas linhas e isso é sensacional! Obrigada  aqueles que acompanham meu trabalho, comentam, curtem, isso é muito importante para meu desenvolvimento!!
Não se esqueça, a Aline junto a Pixel Arte Books irá realizar uma exposição denominada ” As Mulheres de Aline Torchia” , confira o link e saiba mais sobre: http://belatatuada.com.br/exposicao-as-mulheres-de-aline-torchia-na-tattoo-experience-2017/


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