Conheça um pouco sobre o trabalho da artista Virgínia Maria, e seu espaço, chamado de Fauna Ink, está localizado em Joinville – SC, e tem como proposta oferecer tatuagens artísticas para o publico feminino, fazendo disso uma experiência de conforto e privacidade. O atendimento é privativo e individualizado, as tatuagens são exclusivas e em linguagem autoral.


” Antes de ser tatuadora, já tinha várias tattoos e conhecia a experiência de estúdios, eram raros os locais receptivos a mulheres, sem ser um espaço masculino, dos brothers.
Normalmente espaços coletivos, atendimentos em meio a várias pessoas conversando e várias coisas rolando. Quando decidi abrir meu próprio espaço, quis priorizar uma experiência empática, um atendimento privativo, com conforto e tranquilidade. Um lugar onde uma mulher com qualquer idade e historia, se sinta a vontade para entrar, fazer uma tattoo e beber um café.”


Me conta, já rolou situações marcantes com clientes ou com trabalhos marcantes?
Sim, inúmeras, quase todas.
Em trabalhos criados especialmente para clientes ou em mesmo flash, crio uma conexão bacana com as pessoas. É bonito conhecer suas histórias e saber que, de alguma forma, aquele desenho que habitará seus corpos esta ressignificando algo, uma parte do corpo, um sentimento ou um momento. Priorizo atender um número menor de clientes por dia justamente para poder ter essa experiência junto com elas. Valorizo a troca de ideias, um bate papo em um momento calmo e mais intimista.

Como você vê o crescimento de tatuadoras mulheres na cena da tatuagem?
Eu acredito que seja um momento muito bom. Essa expansão da diversidade de linguagens, poéticas e técnicas que muitas mulheres trouxeram para a tatuagem em um momento mais recente é maravilhoso, inspirador e necessário. O que não faltam são mulheres tatuadoras que são muito competentes e que, infelizmente,
ainda vivenciam grandes dificuldades em terem seu trabalho reconhecido, respeitado e levado a sério. É muito comum para mulheres tatuadoras se depararem em situações em que um ótimo trabalho não é “bom o suficiente” para evitar situações constrangedoras como barganha, pechincha exagerada ou até mesmo a invisibilidade no meio profissional em alguns casos.

Sobre seu estilo de tattoo predominante?
O trabalho que desenvolvo é blackwork, em uma linguagem autoral. É uma proposta mais orgânica e fluída, que exploro em técnicas de pontilhismo e rachuras. Valorizo o movimento em minhas composições. Trago como referencias a xilogravura, o pastel, e pinturas em nanquim.

De onde tira inspiração para suas criações?
Não tenho um caminho especifico. Apresento desenhos que se relacionam com meu cotidiano e com algumas reflexões que faço.
Gosto muito de ilustrações antigas que passeiam do período medieval até a art nouveou. Tenho um apreço especial por botânica, astronomia, simbologia e por figuras femininas. Falo de uma perspectiva existencialista e de nossa conexão com a natureza.

Você acha dificil trabalhar com criações e trabalho autoral?
Entendo que todo trabalho autoral apresenta em algum momento níveis de dificuldade desafiadores; isto alimenta minha capacidade criativa. Acredito na compreensão ampla e profunda das propostas e no quanto esse fato pode ser representativo dentro do meu universo de linguagem. É onde me reconheço como artista e compartilho minhas ideias.

Você já passou por situação de preconceito por ser tatuadora mulher?
Sim, infelizmente é algo que ocorre mais do que gostaria no cotidiano de mulheres profissionais da tatuagem. Desde situações simples como o tratamento recebido por fornecedores que, em alguns casos, se comportam como detentores da verdade (ignorando todo o meu conhecimento prévio e anos de estudos) até outras situações que não vivi mas que me foram relatadas por amigas tatuadoras que em incontáveis momentos foram vítimas de machismo. Optei pelo trabalho em estúdio de portas fechadas, com foco no público feminino, justamente por questões assim.
Eu acredito que a tatuagem é uma forma de ressignificação do próprio corpo, para se lembrar, para se sentir bem, se fortalecer, para assumir o controle sobre nossos corpos. Nunca tivemos tantas tatuadoras mulheres e tantas mulheres consumindo a tatuagem. Vejo isso como algo muito bom, o que de certa forma representa uma nova maneira de olhar pra si e um novo olhar sobre o mundo.

Recadinho:
Para minhas companheiras de trabalho o que posso dizer é aquilo que vivencio em minhas experiências e sobretudo, acredito: na união, no suporte e na troca. Desenvolvo no meu estúdio o projeto “Fauna INK recebe”, uma proposta de suporte e intercambio com outras mulheres tatuadoras.

Pra quem se interessar em conhecer meu trabalho, sou artista visual e tatuadora. Atendo em Joinville, Santa Catarina, no meu ateliê, o Fauna Ink, um espaço voltado para mulheres.
Algumas vezes por ano faco tattoo trips e atendo em Curitiba, Florianópolis e Goiânia.
Para verem minhas propostas artísticas minhas redes sociais sao:

www.facebook.com/faunaink
www.instagram.com/faunaink


Galeria de fotos:

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