Patrícia Dalcin Cazanatto, 29 anos, Esteio – RS.

Sou bailarina e já trabalhei dando aulas de ritmos e ballet num projeto pra crianças carentes. Atualmente sou aprendiz e pretendo seguir como tatuadora.
Quando eu tinha 18 anos, fiz minha primeira tatuagem, eram tatuagens pequenas e com pouca duração. Dois anos atrás, me mudei pra Esteio com minha filha e comecei a me interessar pelas convenções de tattoo, que aconteciam na região. Em 2016, ano passado, fui tela numa convenção e depois não parei mais.

A maior dificuldade que eu encontrei foi o preconceito. Dependendo do local que você faz a tattoo, as pessoas começam a te olhar com outros olhos. Tatuagens no pescoço, rosto e cabeça, são alvos de preconceito ainda.

Preconceito a gente sofre sempre e não somente com tatuagem, notei que quando eu tatuei o rosto e quando comecei a pintar meu braço de preto, fez com que as pessoas me olhassem mais, mas eu já estava preparada pra isso.

Quando saio com minha filha de 4 anos, algumas pessoas olham com ar de desaprovação, mas hoje em dia, muita gente olha e gosta. Acham legal ver uma mãe estilosa.

Nasci na cidade de Carlos Barbosa, 89 km de Esteio. Sempre gostei de inventar estilos e sempre tive personalidade forte. Tive uma gravidez bem complicada, quando minha filha nasceu, nasceu em mim uma outra mulher. Ela foi a melhor coisa que me aconteceu.

Moro sozinha com minha filha desde que ela tinha 1 ano e 3 meses. Quando a Isa fez 2 aninhos, resolvi me mudar pra Esteio pois já passava a maior parte do tempo por lá e estava em busca de algo maior. Eu queria que a Isa crescesse numa cidade que fosse mais aberta para diversos tipos de pessoas, de gostos e de gêneros.Comecei no ballet quando tinha 22 anos e me apaixonei, o ballet me faz transparecer quem sou e como me sinto.
Gosto muito de viajar, de sair pra dançar, de ver filmes em dias frios rodeada de “porcarias” pra comer.
Meu envolvimento com os desfiles de Miss começou ano passado. Me inscrevi porque meus amigos falavam que tinha tudo a ver comigo, que eu deveria tentar. O desfile foi na cidade de Gramado e lembro que eu estava muito nervosa. Fiz muitas amizades que levo até hoje e é isso que me faz querer estar no meio.

Em janeiro deste ano, fui eleita Miss Tattoo Fest Tramandaí, título q me abriu muitas portas e que me trouxe uma enorme alegria. Em maio, fui eleita 2ª Princesa Canoas Tattoo. Participei de desfiles em Curitiba e Porto Alegre também.

Recentemente, fiz um ensaio de vídeo e fotos para o site da XPlastic, fiz fotos para a loja Short Fuse, vídeos de divulgação de festas e a capa da revista Metal Head na Colômbia. Participei também de algumas entrevistas na rádio e saí em fotos no jornal.

Pra mim, participar do maior desfile de mulheres tatuadas na maior convenção do mundo é maravilhoso. Confesso que ainda não acredito, e cada dia me surpreendo mais com a grandiosidade do evento. Ser uma das finalistas já é ser uma vencedora.

Beleza pra mim começa de dentro para fora. Se tu é bonita por dentro, tua beleza vai transparecer por fora também, teus olhos e teu sorriso vão ter um brilho especial e vai ser muito fácil as pessoas verem que aquela pessoa, tem uma beleza diferente.

Acredito que uma Miss, pra vencer precisa ser bonita, ser simpática, tem que mostrar que incluiu na sua vida na tatuagem, precisa mostrar para o público e para o mundo que ela representa a tatuagem, representa essa arte, isso é ter atitude, é mostrar pra as pessoas que é absolutamente normal ser diferente e que estilo não muda caráter.

Miss Tattoo pra mim representa meu estilo de vida e me dá a chance de mostrar pra quem não me conhece, como eu sou. Me dá a chance de mostrar a minha beleza, perante meus olhos. Talvez, para as outras mulheres, pode representar um outro estereotipo de beleza, incentivar elas a serem o que querem, e o que tem vontade de ser, sem medo do preconceito.

Os desfiles de Miss Tattoo ajudam muito no cenário das convenções porque se tornou algo atrativo do próprio evento. É uma chance de poder mostrar no palco, de outra forma, as tatuagens em forma de desfiles de lindas mulheres. Hoje em dia, o desfile de Miss é algo essencial numa convenção, é uma forma das pessoas que não estão inseridas nesse meio, verem o quanto estamos lutando pra mostrar a beleza da arte na pele. Talvez essas pessoas saiam do evento com outra perspectiva sobre o assunto.

Me sinto honrada em fazer parte disso, pois conquistei sozinha o meu lugar. Tudo aconteceu naturalmente.
Já sofri muito preconceito e ao ver que hoje, estou inserida nesse meio, é gratificante. Almejei, lutei e conquistei esse espaço que sempre vou honrar e representar, pois esse mundo faz parte de mim, da minha vida e do meu corpo.

Recadinho:
“Gostaria de agradecer a todas as pessoas que sempre me acompanham e que torcem por mim. O carinho de vocês me dá mais energia ainda pra seguir em frente nesse mundo que ainda segue com muitos preconceitos. Fico feliz quando vejo que posso ser/sou referência pra as pessoas de alguma forma. Muito obrigada gente!”

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