Lica Prado, 52 anos, Floripa SC

Me tatuo desde os 27 anos, pra disfarçar as estrias dá gravidez.
Como fiz uma tattoo grande na barriga, chamava muita atenção, pois trabalhava no shopping, muitos olhavam com espanto, outros por admiração e coragem.
O preconceito era forte, mas era comentada de forma positiva, pois tinha marcas feias q seriam para sempre, assim, o desenho escondeu. Fico feliz por muitas mulheres se inspirarem em mim.

26 anos atrás, a moda era ter um dragão pequeno no braço e estrelinha na perna, no meu trabalho, eu fazia sucesso, pois muita gente vinha na loja para ver a “moça tatuada”. Os clientes acabavam comprando e se tornando amigos e admiradores, a dona adorava e me tinha como troféu dá loja, ela dizia para sempre eu ir com a barriga de fora, para mostrar a tattoo, me sentia especial e amada por todos.

Sou motociclista há 25 anos, pilotando minha moto, já tive várias, já saí em alguns jornais, também no livro Historias de nobre cavaleiros, conta um pouco minha vida, sou nômade, ando só, mas na real, sou amiga de muitos motoclubes e ando com todo mundo.
Me dou bem com todos, na estrada sou conhecida como: Genuíne Lady Rider, uso meu colete escrito isso nas costas, também tenho tatuado no peito. Fazemos festas e encontros, para arrecadar alimentos e roupas para entidades carentes.

Na estrada, eu me sinto livre, dona do meu destino, dentro do capacete, encontro respostas que as vezes, sem ele não enxergaria.
Fui convidada a desfilar em Lages pela Aline Cândido, pra fazer a diferença no palco, aceitei porque Lages é minha terra natal, pra me divertir. Eu fui e foi um arraso!
Tornando-me finalista pro TATTOO WEEK em SP.

Que orgulho, aos 52 anos! As meninas me amaram porque disseram que eu estendi a vida de passarela delas. Depois disso fiz três ensaios fotográficos, onde me encantei pelo mundo dos clicks.

Pra mim, desfilar no TATTOO WEEK é uma honra, orgulho imenso, pois é o maior evento do mundo de tatuagem, eu quero representar a mulher mais velha, motociclista, livre e de atitude. Defendo a arte na pele e luto contra o preconceito dia após dia.

Beleza pra mim, é o estado de espírito. Podemos ser lindas ao acordar, natural, sem muita coisa, pois as tatuagens nos tornam belas, elegantes e diferentes. Ser bela é ser boa, atenciosa, autêntica, sincera. A beleza interior me agrada mais.
Pra ser Miss Tattoo, acho que além de tatuagens, ser bonita por dentro, riscada por fora, ter atitudes nobres, distintas, lutar contra o preconceito e defender a causa.

Penso que os desfiles mostram que todas as classes sociais podem se tatuar. Tattoo não tem idade, eu penso que estou quebrando tabus. Misses não precisam ser novinhas, sou Old Skull como minhas Tattoo’s.
Sou do tempo, que era raro um bom tatuador, eles começaram comigo, hoje estão feras, todas eu paguei. Vieram com o tempo.
Hoje tem muitos artistas bons, casam e fecham as esposas em um ano e elas começam a desfilar para miss. Lindas, porém n sofreram preconceito nem um terço do preconceito que muitas enfrentaram.
Quero incentivar mulheres a se tatuar, cobrir marcas indesejáveis, a serem livres, livres de tudo que as prenda e diminua. NÓS PODEMOS TUDO!

Recadinho:
Quando se perguntarem como serão quando estiverem velhas? Seremos como a Lica e outras jovens senhoras riscadas que tem por ai.
E quando me perguntam se Tattoo dói, porque faz mais, eu digo:
“A tattoo, eu que procuro,  sei o tempo de for que vou sentir, sei também qual a marca que vai deixar. Diferente de muita dor que vem sem eu permitir, as vezes foi uma vida toda, e muitas outras nem cicatrizam.”                  

 

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