Camilla Bez, 25 anos, São Paulo- SP, Hairstylist e Make Up Artist no Studio Factory localizado na Rua Augusta.

Eu comecei a me envolver no mundo da tatuagem bem precocemente, aos 13 anos fiz minha primeira tattoo, foi quando iniciei no movimento punk, comecei a conhecer a tatuagem como forma de subversão e identidade das tribos no meio underground, o movimento punk/skinhead em São Paulo, tem diversos tatuadores que se tornaram meus amigos e acabei fazendo parte de tudo, adotando a tatuagem inicialmente como forma de representação da minha identidade no Undeground, desejo de subversão fazendo e mostrando o chocante pra sociedade, que anos atrás era ainda mais conservadora, acabou virando o amor que eu carrego até hoje entre tatuagens antigas e atuais, que representam não só a minha trajetória como também a evolução dos artistas que passaram pela minha pele.
A maior dificuldade foi entre a família, mas nada demais, pois sempre fui a ovelha negra declarada.
Não creio que por ser tatuada eu sofra de fato preconceito, recebo muitos elogios e eventualmente olhares de reprovação que não me atingem, porque eu sei que realmente choca,  ainda mais tendo o rosto tatuado e no restante do corpo desenhos fora dos padrões de feminilidade, mas eu fiz consciente de que chocaria e no fim das contas era o que eu queria.
Não acho que as pessoas tem que gostar ou achar bonitas minhas escolhas, apenas respeita-las, e por situações de desrespeito nunca passei.

Por ser mulher, eu já nasci e sobrevivi até hoje com a falta de respeito e a misoginia, ser mulher é ser a resistência.

Com o passar dos anos mudei muito os meus gostos, do punk hoje sou muito do pop e de fato muito mais tranquila, ser mãe jovem colaborou imensamente com o meu amadurecimento. Sou fã assumida do universo Transformista/Drag Queen, é dele que eu tiro muita coisa pra criação e composição do meu visual, que é sem dúvida marcante.

Apesar de ocasionalmente trabalhar com algumas marcas alternativas e fazer fotos não me classifico como modelo, é apenas um hobby. Comecei nos desfiles por insistência de amigas e pra dar um UP na imagem e autoestima, que vai ao céu quando se está em cima de um palco desfilando ou fazendo uma performance que mostra sua personalidade.

É tão incrível e satisfatório que já estou no terceiro ano consecutivo, o carinho e reconhecimento que as pessoas tem conosco é sensacional, Fé no pai que o título sai!

Beleza pra mim, vai muito além do exterior,  é caráter, opinião formada sem medo e uma personalidade forte e marcante.

Para vencer, acredito que uma Miss precisa ter carisma, atitude, não só em cima do palco, mas no dia a dia, tatuagens, tem que de fato representar a cena da tatuagem e do underground, além de um look destruidor que represente sua essência. O publico quer ver a singularidade de quem vive isso de fato e não uma “panicat” tatuada rs

Acima de tudo, o concurso serve pra mostrar a diversidade das mulheres em estilos, gostos e a audácia que temos de ir lá, dar a cara à tapa mesmo sabendo das posteriores críticas destrutivas.
Ajuda as mulheres encorajando elas a serem o que são, fazerem o que tem vontade sem medo. No cenário da tatuagem ajuda trazendo público porque somos bonitas pra caramba né? (risadas)
O que seria da minha vida sem fazer parte disso? Isso é toda a minha história, vivência, círculo social e etc.

Nunca desistam de algo que vocês desejam, porque uma, duas ou três vezes não deu certo. To aqui pelo terceiro ano tentando, e vou tentar até não me selecionarem mais, o segredo do sucesso é a persistência!
Nunca, em hipótese alguma se envergonhe de quem você é e da sua história.”

Curtiu? Segue ela então nas redes sociais e não deixe de ir dar o seu apoio na Sexta Feira no desfile:

Facebook            Instagram

Galeria de fotos:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *