Gabriela Hatum (Naz Ghadah), 30 anos.

” Escolhi esse pseudônimo inicialmente, quando passei a escrever poesias, e a realizar apresentações de dança do ventre e tribal fusion. O nome Naz, vem de Nazmieh, que é o nome da minha avó materna que participou fortemente na minha criação. A família da minha mãe, é libanesa, por isso, os traços visíveis de árabe e a paixão pela dança.

Sou apaixonada pela arte em geral, a dança, a poesia, a música e as tatuagens. Tenho habilidades esotéricas, como leitura de cartas e mãos, que provavelmente vem de uma capacidade mais introspectiva, para não dizer mediúnica, o que também uso durante a produção das minhas poesias.

Embora tenha essa paixão, não trabalho com tatuagens. Sou médica atuante na área de psiquiatria, Geriatria, saúde da Família e Estetica médica.
Vim de uma cidade pequena chamada José Bonifácio próximo a São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e sofri sim preconceitos com essa paixão pela arte na pele. Tive que esconder minhas tatuagens com jaleco, para evitar pré julgamentos quanto a minha capacidade como médica. Passei por inoportunas situações onde ouvi críticas severas e graves, pouco antes de ser contratada, isso fez com que eu desistisse dessa vaga e em outras, em que levei cantadas de pacientes, que acreditam que mulher tatuada é vinculada a sexo, por essas e outras optei por manter essa paixão encoberto no ambiente profissional.
Hoje moro em São Bernardo do Campo e ainda mantenho as tatuagens um pouco menos a mostra. Mas o que percebi com 6 anos de formação médica, é que após ganhar a confiança e respeito dos meus pacientes muitos deles, e felizmente posso dizer a grande maioria, mesmo me vendo com tantas tatuagens não mudaram em nada a consideração e a confiança por mim. Já tive casos em que pacientes se espelharam em mim, outros cheios de preconceitos ligados à religião, começaram desconfiados e no decorrer dos tratamentos já me tratavam com o maior carinho e amor do mundo. Evito mostrar, mas nem sempre é possível escondê-la totalmente e isso só me mostrou que embora exista preconceito já está havendo uma mudança e eu posso ser um ferramenta para isso. É uma luta, mas me orgulho de ser uma mulher tatuada como sou. Sei que sou inspiração para muitas, pois enfrento a hipocrisia de uma sociedade que não entende ainda que tatuagem é arte.

Tenho uma história de resiliência, após me tornar viúva de dois casamentos, devido meu último casamento me mudei para a cidade que vivo hoje. Sempre quis participar da Miss Tattoo São Paulo, mas acabava não me envolvendo antes pelas horas intensas de trabalho e estudo e por antes morar muito longe. Dessa vez com meu gibi mais completo, um passado intenso e uma vida toda para enfrentar decidi que dessa vez iria tentar participar de fato. E sem duvida, antes mesmo do desfile já sinto que vivo um momento único e especial que tem renovado minhas forças e estimulado minha alma para que eu me mantenha nesse caminho da arte sem preconceitos e lutar a favor disso.

Hoje sei que não importa sua profissão, suas metas ou suas crenças espirituais. Somos seres livres e a tatuagem é uma arte que nos permite expressar nossa liberdade com o que somos e sentimos.

Todos meus amores que se foram, todas minhas vitórias e derrotas, tudo que fez com que eu seja o que sou hoje está expresso na minha pele e conta a história que tanto me orgulho. E se alguma mensagem ainda poderia passar a alguém é que devemos sempre ser sempre nós mesmos pois é aí que está a verdadeira beleza, mas com tatuagens sem dúvida seremos ainda mais.

 

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