Carol Vitter, Tatuadora e Body Piercer mineiradd, atualmente residindo em São Paulo, conhecida principalmente pela sua força feminista e trabalhos empoderados. Participante de diversos eventos como Flash Day’s e Mutirões de tattoo somente com tatuadoras mulheres.
Carol começou aos 18 anos com aplicação de piercing e hoje aos 34 é uma tatuadora conceituada e respeitada entre as mulheres. Toda simpatia e humildade é fruto de anos de carreira desenvolvida na raça.

” Na tatuagem comecei mais tarde em 2010. No inicio me interessei pelo piercing, com 12 anos, caos 14 fiz minha primeira tattoo, fruto de uma aposta perdida pela minha mãe (hoje em dia essa tattoo já foi coberta).
Aos 16 eu mesma perfurei meu nariz e as orelhas de amigas, quando vi que gostei mesmo, busquei saber sobre cursos, na época, havia somente em SP e para maiores de 18 anos. Sendo assim fui buscando informações e com 18 fiz o curso, tive um estúdio em Contagem durante quase 3 anos mais ainda sim trabalhando apenas meio período por receio de não conseguir me manter apenas com a renda do estúdio.
Em 2005 trabalhei em um estúdio em BH, conhecendo vários tatuadores, logo eu me vi interessada em começar a tatuar, porém demorei muito a começar por insegurança em não saber desenhar. Por volta de 2010 senti o movimento de piercing cair e me aprofundei mais nos estudos sobre tattoo e uns amigos começaram a me passar as bases, assim começou minha carreira de tatuadora, mas só me considerei mesmo profissional a partir de 2012 que foi quando me mudei pra SP.

Em relação as dificuldades, pra mim antes de tudo foi o acesso as informações, na época só existiam cursos de BP em SP e sempre foi muito caro, como eu tinha 16 anos, além de ter que esperar completar 18 para fazer, eu ainda fui juntando a grana. Na tattoo tive ajuda de alguns amigos, mas sempre meio limitado, tudo foi sempre muito difícil devido ao machismo que sempre sofri dentro de estúdios onde eu era sempre a única mulher e mesmo sendo BP a muitos anos ainda era apresentada como recepcionista. 
O mercado cresce cada vez mais, vejo um crescimento desenfreado e ás vezes sem muita responsabilidade, hoje virar tatuador virou moda, mas creio que só permanecerão aqueles que trabalham dentro das normas da vigilância e principalmente quem trabalha com respeito e amor pelo que faz, sempre respeitando e atendendo as necessidades do seu cliente pois cada cliente é único. Uma mudança positiva que vejo é o número de tatuadoras ingressando na área. Vamos dominar o mundo, numa rede de apoio que vem crescendo cada vez mais.

Sobre o feminismo na tatuagem:

Pra mim o feminismo é vivência, é o que vivemos no dia a dia, levo ele em todos os setores da minha vida, procuro empoderar cada cliente que até a mim chega e me sinto também empoderada em poder criar uma arte pra elas. O feminismo nos deixa forte e ajuda na evolução. Meu público alvo hoje em dia são minas, não costumo tatuar homens a não ser que seja amigos ou casos especiais. O motivo no qual parei de tatuar homens em primeiro lugar foi pela linha de trabalho que decidi seguir, que são artes voltadas para o contexto feminista. Outro motivo foram as diversas situações de assédio e desrespeito que sofri ao longo dos tempos como BP.

Acredito que todas as mulheres que estão na área, já passaram por algum tipo de preconceito ou assédio, seja ele moral, psicológico ou até físico. Comigo já aconteceu de clientes não confiarem no meu trabalho e perguntarem se não havia um homem que o fizesse, já chegaram no estúdio onde eu estava na recepção fazendo o orçamento, passando preço e no fim a pessoa pergunta se pode então falar com o tatuador para marcar, desde piadinhas até assédios mais sérios como um dos tatuadores que me “ensinava” dizia sempre que eu nunca daria conta, que meu trabalho era ruim que era melhor eu desistir, entre outras que creio que ainda estamos longe de nos livrar desse tipo de situação, pois os homens não se acostumaram ainda a ver uma mulher em posição onde só eles poderiam estar. A vontade de nos diminuir corre quente nas veias, mas estamos ai, juntas mostrando que somos capazes.

Um recado para as profissionais e futuras profissionais, aprendizes ou amantes:

Você é capaz! Pode demorar e vai demorar, se inspire em outras pessoas, mas nunca compare as evoluções, cada um tem seu tempo e sei jeito de evoluir. Esse é meu mantra diário, principalmente nos momentos em que eu sinto que esta difícil demais. Não desista, se você faz isso com amor, se é sua arte que você quer eternizar, faça com amor e respeito sempre.

 

 

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