L.F:
“17/10/2016 ás 14 horas sempre estará marcado, para o resto da minha vida. O dia em que fui agredida verbalmente e fisicamente. Contarei um pouco sobre o ocorrido que trouxe o trauma tanto pra mim quanto pro meu filho.
Sou Letícia, 20 anos, tenho um filho de 1 ano com meu ex noivo Mateus de 21. Estamos separados há um ano e deixava ele ver o meu filho com freqüência, a qualquer hora e a qualquer momento que ele quisesse, as vezes eu tinha que implorar pra ele fazer o papel de pai, não dava pensão e mal comparecia aos momentos de urgência
.No dia 17/10/2016 por volta de 11 horas da manhã, ele me ligou falando que fez uso de uma quantidade abusiva de droga (remédio tarja preta), pedi para que ele fosse ao médico e se tratasse. Depois disso desliguei, ele me mandou uma foto dele usando cocaína. Não respondi apenas fiquei chateada pois ele é maduro o suficiente pra saber oque faz ou deixa de fazer, alias não era mais da minha conta oque ele fazia.

Por volta de 13 horas ele veio até minha casa e começou a tocar a campainha inúmeras vezes, ele não conseguia se manter em pé, olhar parado, agressivo, bufando, ele não estava em si, perguntei o que ele queria e disse que era melhor ele ir ao médico e se tratar, e ele estupidamente disse que queria ver o filho, que queria levar o filho a rua de qualquer jeito… Mas como uma boa mãe disse não! Chamei minha mãe, ela viu o estado dele e também pediu que ele fosse embora. Ele se recusou e começou a gritar a bater no portão e a tocar a campainha sem parar, meu filho começou a estressar, chorar, se assustar. Então pedi que ele fosse embora se não chamaria a policia. Com isso ele mesmo ligou para a policia, esperou 20 minutos e disse que a policia havia chego.
Desci, e minha mãe com meu filho no colo, veio logo atrás. Olhei para os dois lados da rua e não tinha policia nenhuma, olhei para ele e olhar dele estava parado sobre mim, mão fechadas e bufando novamente. Eu rapidamente tentei fechar o portão para que ele não entrasse, em vão, ele abriu o portão e disse ‘’é assim que vai ser?’’ eu pedi para ele ir embora e então sem exitar ele levantou o braço com a mão fechada e me socou, pegou no nariz, e boca. O impacto foi tanto que imediatamente cai para trás, e fiquei durante alguns minutos fora de mim, tudo rodava e o sangue escorria. O único barulho que escutei foi do portão se trancando e meu filho gritando…

Pensei no Atila imediatamente e levantei toda suja de sangue e vi que ele tinha ido embora. Meu filho olhou bem pra mim, assustado, confuso, e começou a gritar. Eu não sabia oque fazer queria que ele não tivesse visto nada disso. Queria que nada disso tivesse acontecido. Não tinha mais oque fazer, eu esta ali cheia de sangue indefesa e sem saber o porque que ele me bateu.

Chamei a policia, e esperei mais de 1 hora a viatura chegar com medo dele voltar e me matar, ou pior pegar meu filho e sumir.

Quando a polícia chegou, nem ao menos quiseram me levar ate a delegacia de mulheres, entao fui sozinha e não tive assistência nenhuma, não cuidaram do meu ferimento, não me colocaram em observação, não me ajudaram e nem nada do tipo além da delegacia estar totalmente lotada. Passaram-se 10 horas sem assistência nenhuma e deixando meu filho com minha vizinha pra ele não ver o meu estado, com fome, com sede, sozinha, sangrando, com dor, e sem saber noticias do meu filho.

Após 11 horas de agonia fui atendida e liberada… Se Mateus estivesse me esperando na porta da minha casa com uma arma pra me matar? Eu morreria, pois não recebi assistência nem proteção nenhuma, apenas um pedaço de papel.

As propagandas de denúncia de agressão a mulher, são lindas, amorosas, mas na verdade estamos indefesas e sujeitas a sermos espancadas e até levadas a óbito.
Ou seja agora vou ter que lidar com um filho traumatizado estando machucada, traumatizada e ainda por  cima sujeita a ser morta a qualquer momento!

Queria agradecer todos que se importaram comigo e especialmente ao GT que abriu esse espaço tão importante para mim,  quero que todos saibam que estou bem, recuperando e tentando seguir em frente juntamente com meu filho.”

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